“A lua é o imenso relicário do céu, onde Deus todas as noites delicadamente nina a luz do dia.” (Lu Tostes)

domingo, 31 de julho de 2011

Transposição



   Se me falta o chão,
   delicadamente flutuo
   sobre cada vão.


   Não percebo o profundo
   escuro do mundo,
   porque meus olhos 
   estão sempre voltados 
   para o azul do céu.


   Lu Tostes
    





 Imagem: www.weheartit.com

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Recomeços




   Esqueça esse rosto plástico,
   esse gosto metálico,
   essa lágrima contida...
   Chore suas dores,
   ria suas alegrias. 
    
    Caminhe...
    do peso de morrer
    para a leveza de sorver 
    o ar aos pulmões.

    Até que um dia
    respirar se perca do grave
    e se torne um movimento suave, 
    feliz e involuntário.


      Lu Tostes


       




Imagem: www.deviantart.com

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Eu comigo



De olhos abertos
não me enxergo,
enfim.


Preciso proteger-me 
dessa luz que cega 
em fim.


Pois, quando os fecho,
sou o glorioso templo
de movimentos amplos
dentro de mim.


Lu Tostes







Imagem: www. weheartit.com

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Raiz




   Se antes
   saltava esguia
   em busca
   do que nem via,
   hoje pássaro
   finca os pés
   no chão... 
   e passa.

   Só 
   o som 
   viaja 
   pelo ar...
   Pois o passo
   vive o descompasso
   sob o peso
   de asas quebradas.

   Lu Tostes



   



 Imagem: www.deviantart.com

terça-feira, 5 de julho de 2011

Saudosismo

(para Mario Quintana)


   
   Tenho saudades dos fios telegráficos, 
   que nunca vi,
   entregando-se à poesia de andorinhas
   e ao olhar contemplativo
   dos girassóis a os espiar.


   Não pertencemos a este mundo.
   Vimos de eras amareladas,
   timidamente iluminadas,
   fruto de um passado,
   que não passou.


   Nascemos do tempo 
   canceriano de nostalgia,
   em que tudo andava mais lento
   e o único a se apressar...
   era o vento.


   Lu Tostes


Imagem: www. weheartit.com