“A lua é o imenso relicário do céu, onde Deus todas as noites delicadamente nina a luz do dia.” (Lu Tostes)

domingo, 25 de setembro de 2011

Dessas despretensiosas alegrias que nos vêm

    (Para Dani e Elaine)



     Nem sempre
     meu jardim sorri em flores.
     Por vezes
     o jardineiro sequer abre
     suas janelas embaçadas
     e, entre nuvens,
     o sol se esconde
     com pequenos
     lábios amarelados.


     Mas a esperança
     sempre prevalece
     no dia
     em que, alheias
     à luz, às cores
     e às pobres retinas riscadas,
     passeiam borboletas distraídas,
     tracejando sua estrada.


     Segue o tempo natural
     de todas as coisas
     (expansões, recolhimentos),
     enquanto as belas,
     ainda que sós,
     soluçam plenamente
     a vida
     por entre os girassóis.


     Lu Tostes






Imagem: www.weheartit.com

domingo, 18 de setembro de 2011

Abraço

(Para meu pequeno grande amor)


     Quando se fez noite 
     nesse céu ensolarado
     de ti,
     ainda assim
     em mim
     jazia o vazio,
     porque fazes
     do meu nada
     a morada 
     de tuas estrelas,
     bastando um segundo
     para caber em meu peito
     o mundo.

     Lu Tostes

     


domingo, 11 de setembro de 2011

Antimatéria


     Sou feita 
     de náuseas
     ornadas
     de delicadezas.
     Sorrio e padeço
     de tudo
     que mora em mim.


     Lu Tostes






Imagem: www.weheartit.com

sábado, 10 de setembro de 2011

Docilidades


Ela dança as fases da lua
tece vento e o ar rodopia...

Do aroma rosa da arte
ela extrai a cor da alegria
do lilás do olhar de quem parte
faz o azul de quem ficaria
do vermelho ardor do estandarte
ao nascer de um sol, mais um dia...

Ela pisa as ruas do tempo
já foi louca, princesa e Maria
faz de azul mais que cor, sentimento
mina d'água, azul, poesia.

(Oswaldo Montenegro)


Fonte: Mimo delicioso de Sonhos e estrelas.




sábado, 3 de setembro de 2011

A fábula de nós dois


       Os campos de trigo 
       já não lembram
      teus cabelos,
       nem me fazem abrigo.
       Por onde passaste,
       já nem sei.

     
       Não beijo 
      teus claros caminhos,
       nem choro 
       teus tantos sorrisos.
       Sobre o nada
       repouso o olhar.

     
       Noites frescas,
       outras de tormenta...
       E tudo permanece 
       no mesmo lugar, 
       em que me sinto 
       completamente feliz.


       Mas se já não mais
       te vejo,
       guarda-te 
       o mundo inteiro,
       pois o vento
       sobranceiro
       acolhe em cada rosa 
       o teu cheiro.


       Lu Tostes





Imagem: www.weheartit.com