“A lua é o imenso relicário do céu, onde Deus todas as noites delicadamente nina a luz do dia.” (Lu Tostes)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Canteiros




Eu desejo a você...
Amigos de verdade, como eu, e que com eles venham muitas gargalhadas, abraços e lágrimas...
Alegria em tudo que faça, mas se você não encontrá-la em todas as coisas, que aquelas necessárias e chatas passem bem depressa...
Uma paixão arrebatadora, que lhe tire o ar e lhe tome os sentidos...
Que você viva com os olhos de expectativa, exatamente como os de uma criança diante de um cobiçado presente...
Que você não perca tempo ou energia pensando naquela dieta milagrosa. Ao invés dela, atividade física prazerosa, para equilibrar seu corpo e sua mente...
Tempo para se dedicar, pelo menos um pouquinho, àquele seu hobby, ultimamente tão esquecido...
Que finalmente você consiga ler os livros que sempre quis na paz de uma rede...
Aquela viagem que tanto planeja, mas que você vive adiando...
Sua conta bancária mais azul do que nunca. Dinheiro sim! É necessário e minimiza as preocupações, que são um grande desperdício...
Roupas que sirvam como uma luva, muuuuuuuuitos sapatos e bolsas...
Um carro que não lhe traga dor de cabeça...
Que os problemas cheguem sempre de mãos dadas a muita serenidade...
Um jardim com muitas flores e ervas. Flores porque embelezam a vida e alegram a alma, ervas porque curam quase todas as dores...
E, finalmente, que você tenha a necessária habilidade para cuidar do canteiro que o fortalece.

E que na noite de Natal você ...
Consiga ir àquela reunião de família com alegria...
Encontre palavras para descrever o amigo-oculto que você pouco conhece...
Perceba que doce misturado a salgado pode ser uma combinação interessante... (porque um apura o sabor do outro) e pare de reclamar enquanto retira o pêssego e o abacaxi do chester, isso é uma chatice!
Tenha comidas gostosas, risadas contagiantes, amigos por perto, crianças correndo...
Mas que, acima de tudo, consiga dar um beijo sincero e um abraço carinhoso naqueles que não conseguem ser tocados, seja na pele ou no coração.

No final do ano que vem, com tantos desejos já realizados, você entenda que aquele cartãozinho de Natal, com dizeres como PAZ, AMOR e a tal PROSPERIDADE, queriam apenas dizer para você ser FELIZ e fazer os outros felizes também, sempre que for possível...

Luz!

Lu Tostes





Imagem: www.weheartit.com

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pólen

   (para Nanda)


   Não há 
   canteiros perfeitos
   e nem só
   de água, sol e chão
   flor carece 
   para germinar.

   Lança a alma 
   ao espaço
   que margaridas 
   também traçam
   longos caminhos
   pelo céu.

   Elas começam 
   a brotar
   no exato instante
   em que se deixam
   carregar
   pelo vento.

   Lu Tostes






Imagem: Google

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Tua

(para Pê)


   
     Eu poderia dizer que sou tua
     em razão do teu riso,
     das flores, 
     que enfeitam domingos,
     da harmonia que trazes 
     para minha canção.


     E poderia até ser
     por esse jeito 
     todo teu 
     de amor generoso,
     de quem cuida de si, 
     cuidando do outro.


     Mas é por estares aqui
     com tuas mãos, 
     que libertam, 
     enquanto abrigam,
     que, sendo mais eu, 
     torno-me ainda mais tua.


     Junto a ti,
     minha alma 
     mais alto voa,
     ganhando toda 
     sua força
     na amplidão.

      Lu Tostes







Imagem: Nicolas Gouny

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Do que fica

(ao sorriso de João)


    
    Somos todos feitos
    desse mesmo barro,
    voltado ao pó
    e à nanopartícula
    do átomo.


    Anos,
    décadas se passam
    até que a tenra semente
    se transforme 
    no carvalho centenário.


    Mas quando se entrega
    o forte ao chão,
    dizem os olhos 
    de quem fica:
    tomba no meu colo!


    Outros 
    sequer pousam: pássaros.
    Condensam 
    seu breve fio de vida
    no tempo
    de um pensamento.


    (E ainda assim
    sobrevivem intactos
    no perfume do jasmim.)


    Lu Tostes


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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Da essência

(para Rita Apoena)


    
    Alguém disse
    que só os poetas enxergam
    as pequenas grandes coisas
    do mundo.


    Se a pena flutua por oito segundos,
    enquanto a menina abraça o amigo,
    se pende o balanço solitário,
    quando estala a folha seca de outono,
    se treme a flor no topo da árvore,
    embalada pelo vento com cheiro de azul,
    bem verdade é que o poeta nada vê.


    Quem o faz 
    é o especialíssimo leitor,
    que capta com 
    seus vastos sentidos
    esse templo etéreo
    de delicadezas.


    O poeta amanhece, floresce,
    flutua, abraça, 
    agoniza, pisa, 
    sopra, venta e voa.
    Ele nasce, vive e morre  
    cada um desses infindos
    frêmitos de plenitude.


    Lu Tostes






Imagem: www.weheartit.com

domingo, 23 de outubro de 2011

Sempre-vivas


   
     O livro acolheu
     o jardim que se foi,
     nesta flor de um amarelo seco,
     quase marrom,
     que guarda na  página vinte e três
     o sorriso de Maria detrás da porta.

     Sempre nos soubemos mais nós,
     mas foi-se o perfume
   com o tempo da delicadeza,
     no mesmo instante 
     em que o caule partido
     esvaiu-se em seiva.

     E se do que fomos
     nós já não somos mais,
     resta apenas 
     esse cheiro
     na ponta dos dedos,
     lembrando tudo que jaz.

     Lu Tostes









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domingo, 16 de outubro de 2011

O tempo da queda



     Não houve
     sequer uma mão
     que alcançasse 
     os diversos esticares
     dos meus pés
     pelos ares.
     Ao revés 
     do abismo,
     todos passaram.
     Eu fiquei.


     Lu Tostes







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domingo, 9 de outubro de 2011

Mais perto do chão

    
     Zum, zum.
     Batem ligeiras
     as suas asinhas,
     mas jamais
     almejam o céu.


     No pouso das flores,
     que abelhas 
     aos pares
     delicadamente
     engendram o mel.


     Lu Tostes







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domingo, 2 de outubro de 2011

Carmim


     Crianças 
     cor de pitanga
     correm descalças
     suspensas no ar.
     No chão de terra batida,
     voa o pó do vermelho,
     que um dia se derramara.

     Chegam 
     de braços abertos
     desvencilhados
     dos corpos pintados,
     em meio a sorrisos largos,
     sonhados por Deus
     no princípio do mundo.

     Simplicidade assim
     acolhe toda vinda
      e recebe a vida
     sempre de frente,
     criando asas
     na alma da gente.

     Lu Tostes
     




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domingo, 25 de setembro de 2011

Dessas despretensiosas alegrias que nos vêm

    (Para Dani e Elaine)



     Nem sempre
     meu jardim sorri em flores.
     Por vezes
     o jardineiro sequer abre
     suas janelas embaçadas
     e, entre nuvens,
     o sol se esconde
     com pequenos
     lábios amarelados.


     Mas a esperança
     sempre prevalece
     no dia
     em que, alheias
     à luz, às cores
     e às pobres retinas riscadas,
     passeiam borboletas distraídas,
     tracejando sua estrada.


     Segue o tempo natural
     de todas as coisas
     (expansões, recolhimentos),
     enquanto as belas,
     ainda que sós,
     soluçam plenamente
     a vida
     por entre os girassóis.


     Lu Tostes






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domingo, 18 de setembro de 2011

Abraço

(Para meu pequeno grande amor)


     Quando se fez noite 
     nesse céu ensolarado
     de ti,
     ainda assim
     em mim
     jazia o vazio,
     porque fazes
     do meu nada
     a morada 
     de tuas estrelas,
     bastando um segundo
     para caber em meu peito
     o mundo.

     Lu Tostes

     


domingo, 11 de setembro de 2011

Antimatéria


     Sou feita 
     de náuseas
     ornadas
     de delicadezas.
     Sorrio e padeço
     de tudo
     que mora em mim.


     Lu Tostes






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sábado, 10 de setembro de 2011

Docilidades


Ela dança as fases da lua
tece vento e o ar rodopia...

Do aroma rosa da arte
ela extrai a cor da alegria
do lilás do olhar de quem parte
faz o azul de quem ficaria
do vermelho ardor do estandarte
ao nascer de um sol, mais um dia...

Ela pisa as ruas do tempo
já foi louca, princesa e Maria
faz de azul mais que cor, sentimento
mina d'água, azul, poesia.

(Oswaldo Montenegro)


Fonte: Mimo delicioso de Sonhos e estrelas.




sábado, 3 de setembro de 2011

A fábula de nós dois


       Os campos de trigo 
       já não lembram
      teus cabelos,
       nem me fazem abrigo.
       Por onde passaste,
       já nem sei.

     
       Não beijo 
      teus claros caminhos,
       nem choro 
       teus tantos sorrisos.
       Sobre o nada
       repouso o olhar.

     
       Noites frescas,
       outras de tormenta...
       E tudo permanece 
       no mesmo lugar, 
       em que me sinto 
       completamente feliz.


       Mas se já não mais
       te vejo,
       guarda-te 
       o mundo inteiro,
       pois o vento
       sobranceiro
       acolhe em cada rosa 
       o teu cheiro.


       Lu Tostes





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domingo, 28 de agosto de 2011

Epifania


     O vento cantou
     toda sua fúria.
     Despetalou 
     as violetas na janela...
     E me vi 
     completamente nua.
          
     Mas quando, enfim,
     o teto desabou,
     vi, com olhos 
     de surpresa,
     que restamos eu
     e as estrelas.


     Lu Tostes





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domingo, 21 de agosto de 2011

Sobre como chega a noite



     A lua
     é o imenso
     relicário do céu,
     onde Deus
     todas as noites
     delicadamente nina
     a luz do dia.


     Lu Tostes





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domingo, 14 de agosto de 2011

A natureza do amor


     Amor é rio 
     tranquilo
     que passa devagarinho,
     acarinhando o salgueiro,
     a pedra, a flor.

     Não verte mar bravio,
     nem urge luta
     contra a correnteza,
     exaurindo o corpo
     e arrastando o que for.

     Cresce em vida, 
     brotando no coração 
     da terra fértil,
     fortalece em beleza
     berço e leito, 
     saciando a sede 
     de quem bebe.


     Lu Tostes





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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Em_canto


     Quando a sereia 
     se enfeita
     com as conchas do mar,
     pescador não lança sua rede,
     recolhe a embarcação.


     Bem sabe ele
     que sob o céu mais azul,
     trava sua luta desigual
     entre água serena
     e revolto coração.
 

     Lu Tostes






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sábado, 6 de agosto de 2011

Do querer colher

    
     A mão que ama a flor
     cuida do jardim,
     não priva 
     a sempre-viva
     do perfume do jasmim.


     Rega!     
     Que a bela só cresce 
     se fincada na terra,
     reluzindo o sol 
     e transformando pó 
     em cor.
     
      Lu Tostes







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